terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Os Limites de Cada Um de Nós



(Letícia Thompson)


As pessoas julgam as forças umas das outras baseando-se naquilo que elas mesmas são capazes de suportar. Poucos se dão conta que cada um de nós tem seu limite e que este não pode ser comparado com o de mais ninguém.

Uns suportam mais heroicamente o sofrimento, outros se entregam e morrem devagarinho como se o mundo tivesse acabado. E a um e a outro Deus criou.

Somos infinitamente mais capazes do que pensamos, mas enquanto ignoramos essa verdade, somos o que somos sem sermos mais ou menos que ninguém.

Classificar alguém de fraco porque este não suporta a dor física, moral ou emocional é cometer uma grande injustiça, pois cada um vai até onde seus limites permitem e é devagarinho que as pessoas vão descobrindo que as asperezas da vida nos tornam pouco a pouco mais fortes e resistentes.

Seguimos até onde devemos seguir e quando cremos que as forças nos abandonam é que o Senhor nos pega nos braços e nos ensina a voar. Vemos então horizontes que não podíamos alcançar com nossa visão plana e direcionada geralmente àquilo que nos fazia tanto mal.

Somos o que somos sim e que ninguém nos diga pequenos e falhos! Alcançamos tudo o que está ao alcance das nossas mãos e o mais o Senhor nos dá através da nossa fé que, mesmo limitada, nos torna seres ilimitados.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Sobre Aniversários.... e sobre o tempo que passa....


Eu aprendi que a dança do amor a gente dança aos sessenta, como se tivesse quinze
mesmo que as pernas já não sejam as mesmas,
porque esse é o maior milagre que o amor realiza: ele vive num tempo sem tempo ...

Eu aprendi que a gente pode até perder os sonhos ao longo dos caminhos,
porque quem disser que depende dos sonhos para amar, não conhece a contramão dessa via:
- é justamente quem ama, aquele que se faz sonhador !

Eu aprendi que as agruras da vida dilaceram, machucam, rasgam o coração em milhões de pedaços,
mas o amor sempre o refaz e o apresenta inteiro, pleno e intacto para uma outra vez ...

Eu aprendi que há velhos aos dezesseis e jovens aos noventa,
porque a vida é apenas uma passagem, e o amor não depende de nada e de ninguém:
- ele é o alimento primordial, é a reverência da alma por tudo quanto existe e quanto a inspire !

Eu acredito e sinto que o amor é o anestésico, a superação e a sabedoria vencendo a solidão .
É ...eu acredito que o amor é isso.
E mesmo que o resto do mundo diga que eu não estou certa,
ainda assim, isso não precisa significar que eu esteja errada ...
Para mim, o amor entre duas pessoas é uma conspiração do invisível .

Sim,eu realmente acredito que o amor não tem idade,
que as ilusões são estrelas para as noites sem lua
e a juventude é o quanto de vida cabe dentro de cada um.

E, por hoje, e para o tempo que me for permitido,
eu acredito que muito grande é o amor
que vê envelhecer,
mas nunca envelhece!!!!!


PARABÉNS POR MAIS UM ANO DE APRENDIZADO... E MAIS UM ANO COMIGO.....

AMOR DA SUA..... Louirinha


(descobri esse belo texto (ou será um poema?) na internet...
infeliznente não sei quem o escreveu....)

sábado, 17 de janeiro de 2009

Vontade...


Hoje é um daqueles dias
de macho e fêmea:
tua boca
minha língua
tua mão
meu seio
tua pele
meu cheiro
tua coxa
meus pêlos
teu sêmen
meu ventre
tua falta
meus dedos...


Amor Bastante


quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como se eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil faces num só instante

basta um instante
e você tem amor bastante

um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto


(Paulo Leminsk)

Abstração


busco palavras
no escaninho
da memória

e o poema
dorme ao lado
numa pose
transitória


(Lau Siqueira)


Dez Chamamentos ao Amigo


Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
Desejasse

Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.

Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta

Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.



(Hilda Hilst)

sábado, 10 de janeiro de 2009

Momentos


Quase a Vida me foge dos sentidos quando te vejo.

O chão parece estar longe

E meus ouvidos ouvem música.

Constante... calma... suave...

Tudo, de repente, parece colorido à volta.

A percepção do importante se perde

Tanto se agiganta minha emoção.

E é nestes momentos

Quando a Vida me foge dos sentidos,

Que percebo quanto sentido tem a Vida.



Não Importa


Não importa o que

eu sinto.
O que eu sinto
é como se tudo
fosse a última vez;
A paisagem, a cidade,
um beijo, o amor...
tudo.
Tudo tem jeito de
adeus.
Não importa o que eu
sinto.

(Daniel Rego Barros Junior)

Cotidiano



No quarto um o filho número dois assiste ao canal treze

No quarto dois o filho número um assiste ao canal oito
No quarto três o filho número três assiste ao canal quatro
No cubículo da área de serviço a empregada prepara-se para o sono solitário
No último quarto o casal assiste impassível ao seu próprio isolamento
à hora do almoço a família se visita
Mastigação e silêncio compartilham mundos diversos



(Dalila Teles Veras)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Talvez



Amor é fato.
Amar é ato.

Se falta afeto neste fado
ou se, de fato, há fogo febril
-que nos consome num afago
que nos mata em chamas mil-
quero deixar clara a intenção
de consumir-me, não em palavras
-que estas torpes sílabas vãs
revestem justo
o que pretendo desnudar-

mas consumir-me
em consumir-te. Em
“ser”, tendo-te.

Amor volátil,
Fugaz
Que, amanhã, pode não ser.
Mas que hoje, tudo apraz.


Mas Há A Vida


Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida.
Há o amor,
que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.

(Clarice Lispector)

Ceia


Trago mel nas mãos,
afagos na boca,
cheiros em meus lábios,
sonhos nos olhos;
tudo para um amor
que não sei qual;
tudo pronto a esperar
conviva para a ceia,
companhia para minha sede,
apetite,
emoção,
brindados em vinho branco,
acalentados
no aconchego da paz.


Corpo



Todo corpo ........

Toda vida explica nos seus rastros

Sempre uma notícia escrita nos seus traços

Todos os anseios no mover dos braços

Todo corpo traz um benefício sobre suas curvas

E algum sacrifício com lembranças turvas

Marca suas dobras

Todo corpo amado ou desolado chora

Toda sua virtude e seu pecado aflora

Todo corpo uma mente oculta

Todo corpo é alma enquanto vida pulsa


(Candida Alves)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

É Preciso


É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta
nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes,
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta,
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome,
o som da nossa voz,
o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos severos conosco,
pois o resto não nos pertence.
( Cecília Meireles )

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Cacaso: Amor Com Humor....


Happy end

O meu amor e eu
nascemos um para o outro

agora só falta quem nos apresente


Estilos trocados

Meu futuro amor passeia — literalmente — nos
píncaros daquela nuvem.

Mas na hora de levar o tombo adivinha quem cai.


Quem de dentro de si não sai
Vai morrer sem amar ninguém

A parte perguntou para a parte qual delas
é menos parte da parte que se descarte.
Pois pasmem: a parte respondeu para a parte
que a parte que é mais — ou menos — parte
é aquela que se reparte.


Passeio no bosque

o canivete na mão não deixa
marcas no tronco da goiabeira

cicatrizes não se transferem

By Cecília Meirelles


"A maior pena que eu tenho,
punhal de prata,
não é de me ver morrendo,
mas de saber quem me mata."

Canção da Plenitude

Não tenho mais os olhos de menina

nem corpo adolescente, e a pele
translúcida há muito se manchou.
Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura
agrandada pelos anos e o peso dos fardos
bons ou ruins.
(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)

O que te posso dar é mais que tudo
o que perdi: dou-te os meus ganhos.
A maturidade que consegue rir
quando em outros tempos choraria,
busca te agradar
quando antigamente quereria
apenas ser amada.
Posso dar-te muito mais do que beleza
e juventude agora: esses dourados anos
me ensinaram a amar melhor, com mais paciência
e não menos ardor, a entender-te
se precisas, a aguardar-te quando vais,
a dar-te regaço de amante e colo de amiga,
e sobretudo força — que vem do aprendizado.
Isso posso te dar: um mar antigo e confiável
cujas marés — mesmo se fogem — retornam,
cujas correntes ocultas não levam destroços
mas o sonho interminável das sereias.


(Lya Luft)



Arte-Final

Não basta um grande amor
para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
que o amor da gente.

O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.

Uma coisa é a letra,
e outra o ato,

­ quem toma uma por outra
confunde e mente.


segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

By Drumond

A palavra

Já não quero dicionários
consultados em vão.
Quero só a palavra
que nunca estará neles
nem se pode inventar.
Que resumiria o mundo
e o substituiria.
Mais sol do que o sol,
dentro da qual vivêssemos
todos em comunhão,
mudos,
saboreando-a.
- Drummond -

ANO NOVINHO....