terça-feira, 28 de abril de 2009

... de alguns livros...


"Pelo fato de ter sempre o mesmo nome, os mesmos olhos e o mesmo nariz, não quer dizer que eu seja sempre a mesma mulher."

"Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies."

"Duvida da luz dos astros, de que o Sol tenha calor, duvida até da verdade, mas confia em meu amor."

"Existem todas as possibilidade, a mais absoluta liberdade de escolha. Como em um livro, onde cada letra permanece para sempre na página, mas o que muda é a própria consciência que escolhe o que ler e o que deixar de lado."

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Pois É... Pois É... Pois É...


Não passam as dores,
também não passam as alegrias.
Tudo o que nos fez feliz ou infeliz
serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida,
um quebra-cabeça de cem mil peças.
Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar,
aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir,
aquele beijo cinematográfico que você recebeu,
aquela visita surpresa que ela lhe fez,
o parto do seu filho,
a bronca do seu pai,
a demissão injusta,
o acidente que lhe deixou cicatrizes,
tudo isso vai, aos pouquinhos,
formando quem você é.
Não há nenhuma peça que não se encaixe.
Todas são aproveitáveis.
Como são muitas, você pode esquecer de algumas,
e a isso chamamos de "passou".
Não passou.
Está lá dentro, meio perdida,
mas quando você menos esperar,
ela será necessária para você completar
o jogo e se enxergar por inteiro.
(Martha Medeiros)

ASSOMBRAMENTO....

por Eduardo Ross
O relógio no meu pulso é uma tradução ímpar da vida. É a prova factual de que o tempo passa. O segundo seguinte que seria o futuro, não existirá mais até o fim da frase. Quando há sorte, um segundo sortudo vira memória. Contudo, na maioria das vezes, jamais vou me lembrar do segundo que passou.
Mesmo assim minhas memórias são vastas. Algumas castas outras infames. Surpreendentemente minhas imagens mais vivas - consigo vê-las com freqüência - são as das palavras que eu jamais pude pronunciar. É inesperado. Mas me recordo dos pensamentos que não se tornaram verbos e por isso nunca vieram a se materializar. Lembro de como era a vontade de dizer e lembro que no exato momento da primeira sílaba, fui interrompido, mudou o assunto, um celular tocou, e jamais tive a oportunidade de dizer o que queria. Podia ser uma coisa banal, ou uma ponderação brilhante. Mas me lembro. Estranho, mas lembro perfeitamente do que pensei.
Num velório, é mais vivo para mim o que meu pensamento desgovernado indicava do que as palavras adequadas e lapidadas para aquele momento. “Será que demora pra acabar?”, sim, algumas vezes, sim. Ou “queria tanto que essa dor acabasse logo”, também.
Brigas são uma fonte fértil de coisas que não são ditas.
Talvez a maior fonte possível. Ali raramente alguém sabe exatamente o que está dizendo. Inúmeras vezes enquanto tirava argumentos para respostas e respostas para argumentos de dentro da cartola, lembro exatamente do quanto queria dizer que estava errado. Que me sentia como um palhaço que precisa manter a atenção do público no picadeiro. Mas não disse. Aliás, pelo dobro de vezes lembrei dias e dias depois a palavra exata que queria ter dito naquele momento.
Uma colocação nova, lapidada, cintilante, que causaria uma revolução na causa.
Outro dia, a memória passou como uma pequena corrente de vento pela minha cabeça. Pensei, rondei, e desisti. Nada é tão misterioso quanto, em um lapso, sermos – note que já uso o plural – invadidos pelo pedaço de uma música. E esta música nos faz lembrar exatamente de alguém.
Cada verso, cada lá-rá-rá, forma a imagem de gente com um lápis de perfeito traço. Qual a probabilidade de isto acontecer? Alguém já estipulou estatisticamente, como podemos lembrar de alguém com uma música que sequer a outra pessoa conheça?
Quem sabe assim vai ser possível uma palavra, substantivo ou advérbio, fazer com que, finalmente, provem que é possível perceber o tom daquela música pelo paladar. O gosto pelos olhos. Ou o tato pela visão.
Mas nada, nada claro. Apenas um ou outro borrão de lucidez. Mas nada, nada claro. Passou uma esperança latente de que aquela brisa que passava por minha cabeça, pode de repente passar também pelo pipoqueiro da esquina, o bancário, o apresentador de televisão. Mas nada, ainda nada é tão claro.
Hoje um rosto denunciava que aquela alma não estava presente naquele lugar. Olhos semi-cerrados, curvados levemente à esquerda, a ponta da caneta mastigada na boca. Causa-me certo desespero saber que eu jamais vou saber o que aquele rosto pensava. Provavelmente nem o (a) dono (a) do rosto vai se lembrar. Injustamente, as palavras que não se tornam vozes não se perpetuam. Não existem.
Dizem que a pior doença é aquela que não é mais possível discernir entre o agora e o que é passado. Não sei. Imagine poder sentir novamente a memória no presente momento. A memória é irreversível. E seu maior defeito, é que é preciso esquecê-la.

*Estudante de Jornalismo
edu_ross@hotmail.com
www.ocnet.com.br

by William Shakespeare...


Há certas horas, em que não precisamos de um Amor...
Não precisamos da paixão desmedida...
Não queremos beijo na boca...
E nem corpos a se encontrar na maciez de uma cama...
Há certas horas, que só queremos a mão no ombro,
o abraço apertado
ou mesmo o estar ali, quietinho, ao lado...
Sem nada dizer...
Há certas horas, quando sentimos que estamos pra chorar,
que desejamos uma presença amiga,
a nos ouvir paciente,
a brincar com a gente,
a nos fazer sorrir...
Alguém que ria de nossas piadas sem graça...
Que ache nossas tristezas as maiores do mundo...
Que nos teça elogios sem fim...
E que apesar de todas essas mentiras úteis,
nos seja de uma sinceridade inquestionável...
Que nos mande calar a boca
ou nos evite um gesto impensado...
Alguém que nos possa dizer:
Acho que você está errado, mas estou do seu lado...
Ou alguém que apenas diga:
Sou seu amor!
E estou Aqui!

by Martha Medeiros



Eu sou feita de:
Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos...
Choros sem ter razão
pessoas no coração
atos por impulsão
Sinto falta de:
Lugares que não conheci
experiências que não vivi
momentos que já esqueci
Eu sou:
Amor e carinho constante
distraída até o bastantenão
paro por instante
Já tive:
Noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu:
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto pelas:
Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei
Tenho saudade de:
pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo .... vivendo e aprendendo.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Todo O Sentimento

Preciso não dormir
Até se consumar
O tempo da gente.
Preciso conduzir
Um tempo de te amar,
Te amando devagar e urgentemente.
Pretendo descobrir
No último momento
Um tempo que refaz o que desfez,
Que recolhe todo sentimento
E bota no corpo uma outra vez.
Prometo te querer
Até o amor cair
Doente, doente...
Prefiro, então, partir
A tempo de poder
A gente se desvencilhar da gente.
Depois de te perder,
Te encontro, com certeza,
Talvez num tempo da delicadeza,
Onde não diremos nada;
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu...
(Chico Buarque)

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Não sei....


Não sei ...se a vida é curta
ou longa demais para nós,
Mas sei que nada do que vivemos
Tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas
(by:Cora Coralina)